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Iniciativa Amazônia+10 consolida modelo de financiamento científico com impacto direto nos territórios amazônicos

  • 24 de mar.
  • 5 min de leitura

Relatório reúne resultados de três anos da aliança que já mobilizou R$ 162,9 milhões, financiou 61 projetos de pesquisa e envolveu mais de 1.950 pesquisadores no Brasil e no exterior



Criada em 2022, a Iniciativa Amazônia+10 estabeleceu um modelo inédito de cooperação científica voltado à produção de conhecimento sobre os desafios socioambientais da região. A iniciativa articula fundações de amparo à pesquisa, universidades e organizações da sociedade civil para fortalecer a ciência produzida na Amazônia e ampliar a colaboração entre pesquisadores, instituições e comunidades locais.


Os avanços dessa articulação estão reunidos no Relatório de Monitoramento da Iniciativa Amazônia+10, que apresenta indicadores sobre a execução dos projetos, a formação de redes de pesquisa e os resultados científicos e sociais já produzidos pelo programa.


Acesse o relatório completo e o dashboard interativo:


Por trás desses resultados está uma articulação pouco comum no sistema científico brasileiro. A Iniciativa Amazônia+10 reúne 25 Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs), apoiadas por 16 parceiros nacionais e internacionais, em uma coordenação conduzida pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP).


Em cerca de 30 meses, essa rede lançou três chamadas públicas próprias de financiamento e outras quatro por meio de parceiros internacionais, ampliando de forma expressiva os recursos destinados à ciência, tecnologia e inovação voltadas à Amazônia.


Mas a proposta da Iniciativa vai além de ampliar o volume de recursos para pesquisa. Desde o início, a Amazônia+10 foi desenhada para articular redes nacionais e internacionais de cooperação científica e simultaneamente garantir o protagonismo de pesquisadores e instituições da própria região. Por isso, todos os projetos apoiados são liderados por cientistas vinculados à Amazônia Legal e desenvolvidos em diálogo com povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.


Da Amazônia para o mundo: redes de pesquisa atravessam fronteiras


A rede de colaboração formada pela Amazônia+10 conecta pesquisadores amazônicos a instituições científicas no Brasil e no exterior. Já foram realizados 20 workshops bilaterais entre Brasil e Reino Unido e cinco encontros trilaterais envolvendo Brasil, França e Guiana Francesa, além da concessão de 12 fellowships para pesquisadores da Amazônia Legal em instituições britânicas.


Hoje, a rede mobilizada pela iniciativa reúne pesquisadores vinculados a instituições em todas as unidades da federação brasileira e em outros seis países, ampliando a circulação internacional do conhecimento produzido na Amazônia e fortalecendo a presença da região nos grandes debates científicos globais.


“Existe um interesse científico crescente nas últimas duas décadas sobre a Amazônia, que se reflete em um aumento consistente de publicações sobre o tema. O que a Iniciativa faz é criar mecanismos de fomento à colaboração internacional assegurando a liderança de pesquisadores da região.”, disse João Arthur Reis, um dos membros a Secretaria Executiva da Amazônia+10.


Chamadas que mobilizaram ciência e resultados na Amazônia


Grande parte dos resultados apresentados no relatório nasce das duas principais chamadas públicas lançadas pela Iniciativa Amazônia+10, que estruturam o financiamento das pesquisas e orientam as agendas científicas apoiadas pela iniciativa.


A 1ª Chamada Amazônia+10, voltada ao apoio à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico, financiou 39 projetos e mobilizou cerca de R$ 54 milhões. As pesquisas investigam desafios contemporâneos da região, com foco nas relações entre natureza e sociedade e na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia.


Já a 2ª Chamada Amazônia+10, dedicada às Expedições Científicas, financiou 22 projetos, mobilizando cerca de R$ 95 milhões e reunindo mais de 700 pesquisadores com o apoio de 24 agências financiadoras. As expedições têm como objetivo ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e a sociobiodiversidade amazônica, especialmente em áreas remotas e ainda pouco estudadas.



Formando novas gerações de cientistas da Amazônia


Além de financiar projetos de pesquisa, a Iniciativa Amazônia+10 também tem ampliado a formação de novos pesquisadores e fortalecido redes científicas na região. O monitoramento realizado pela Iniciativa identificou 1.265 pesquisadores vinculados a 171 instituições, com a maior parte sendo universidades e centros de pesquisa (78%) e o restante organizações comunitárias (8,8%), órgãos públicos (5,3%) e organizações do terceiro setor (4,1%) que participam diretamente dos projetos. De fato, cerca de 80% dos projetos envolve atores não acadêmicos, com ações de formação e ciência cidadã envolvendo mais de 8.700 participantes.


A diversidade também aparece no perfil dos participantes. Entre os pesquisadores envolvidos nos projetos, mais da metade são mulheres (52,8%), e uma parcela significativa se autodeclara preta, parda ou indígena (43,2%), refletindo uma presença crescente de cientistas com trajetórias e origens diversas na produção de conhecimento sobre a Amazônia. Entre os bolsistas vinculados às pesquisas, esses percentuais são ainda mais expressivos, com 57% de mulheres (57%) e 51,5% de pesquisadores pretos, pardos ou indígenas (51,5%).


A formação de recursos humanos é um dos eixos estruturantes da iniciativa. Até o momento, já foram concedidas bolsas em diferentes níveis de formação, desde a iniciação científica (102) até o pós-doutorado (119), passando por programas de mestrado (104) e doutorado (80). Esses pesquisadores participam diretamente das atividades de campo, das análises laboratoriais e da produção científica associada aos projetos, contribuindo para consolidar novas gerações de cientistas comprometidos com os desafios da Amazônia.


Ciência que gera conhecimento e influencia políticas públicas


Os projetos financiados geraram mais de 365 produtos científicos e tecnológicos, incluindo artigos científicos (243), dissertações de mestrado (89), teses de doutorado (27) e patentes registradas (2). A infraestrutura de pesquisa também foi fortalecida com a aquisição de equipamentos científicos (165).


A produção de conhecimento também ganhou circulação pública. As pesquisas resultaram na publicação de livros (2), com outros dois em elaboração. Gerou ainda a produção de documentários (3) e cerca de 191 conteúdos jornalísticos, incluindo inserções em grandes veículos nacionais.


Em alguns casos, os resultados já começam a influenciar decisões públicas. Entre os 39 projetos da primeira chamada, pelo menos 10 apresentam impactos identificados em políticas públicas, como estudos realizados na Volta Grande do Xingu que contribuíram com dados utilizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis na definição da vazão da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.


 

Um modelo para o futuro da ciência na Amazônia


Os resultados consolidados mostram que a Iniciativa Amazônia+10 não apenas ampliou os investimentos em ciência na região, mas também ajudou a estruturar uma nova forma de produzir conhecimento na Amazônia. Ao reunir pesquisadores, instituições científicas, comunidades locais e parceiros internacionais em torno de desafios comuns, a Iniciativa vem consolidando um modelo de pesquisa colaborativa, enraizada nos territórios e conectada às realidades sociais e ambientais da região.


Mais do que gerar conhecimento, as experiências acumuladas nesses primeiros anos indicam que é possível produzir ciência de excelência ao mesmo tempo em que se fortalecem redes de cooperação, se ampliam oportunidades de formação científica e se constroem respostas concretas para os desafios amazônicos.


Em um cenário global cada vez mais atento ao futuro da floresta e de seus povos, a Amazônia+10 aponta para um caminho em que ciência, território e sociedade caminham juntos na construção de soluções para a região.



 



 
 
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